Oposição e Bolsonaro colocam troca de presidente na ordem do dia

Líderes dos principais partidos de oposição e o próprio Jair Bolsonaro colocaram em discussão a questão do afastamento do cargo do presidente da República em meio às críticas que o chefe do Executivo Federal tem sofrido por sua postura em relação ao combate ao avanço do novo coronavírus no país.

Bolsonaro tem defendido a flexibilização do isolamento social que governadores e prefeitos têm imposto para evitar aglomerações, que facilitam o contágio da doença. O presidente, que acredita que a medida vai provocar sérias consequências à economia do país, levou essa ideia no domingo 29 a moradores de Brasília durante passeio pela capital federal.

Ele chegou a dizer às pessoas que o abordavam durante a caminhada que poderia editar um decreto para flexibilizar as restrições impostas por estados e municípios. Nesta segunda-feira, 30, ao deixar o Palácio da Alvorada, ele voltou a defender a medida e criticou os que, segundo ele, querem forçar uma ampla quarentena para “quebrar o país”.

“Vamos enfrentar o problema? Ou o problema é o presidente? Tem que trocar de presidente e resolve tudo?”, perguntou Bolsonaro, durante conversa com apoiadores e jornalistas. Segundo ele, se houver um caos no país, aproveitadores se valerão disso para chegar ao poder e não mais deixá-lo. “O problema não é do presidente, é de todos nós. E quando a situação vai para o caos, como, por exemplo, desemprego em massa, fome, problemas sociais, é um terreno fértil para os aproveitadores buscarem uma maneira de chegar ao poder e não mais sair dele”, disse. “Atiram numa pessoa só, o alvo sou eu. Se o Bolsonaro sair e entrar o Haddad (Fernando Haddad, do PT, seu rival no segundo turno da eleição presidencial) ou outro qualquer, está resolvido o problema?”, questionou.

Oposição

Também durante a manhã desta segunda-feira, a questão do afastamento do presidente voltou à pauta, dessa vez por iniciativa da oposição, com a divulgação de uma carta sugerindo a renúncia do presidente. O documento foi assinado pelos ex-rivais de Bolsonaro na eleição de 2018 Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), além de outros nomes como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), e os ex-governadores do Paraná Roberto Requião (MDB) e do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT).

“Bolsonaro não tem condições de seguir governando o Brasil e de enfrentar essa crise, que compromete a saúde e a economia. Comete crimes, frauda informações, mente e incentiva o caos, aproveitando-se do desespero da população mais vulnerável. Precisamos de união e entendimento para enfrentar a pandemia, não de um presidente que contraria as autoridades de saúde pública e submete a vida de todos aos seus interesses políticos autoritários. Basta! Bolsonaro é mais que um problema político, tornou-se um problema de saúde pública. Falta a Bolsonaro grandeza. Deveria renunciar, que seria o gesto menos custoso para permitir uma saída democrática ao país. Ele precisa ser urgentemente contido e responder pelos crimes que está cometendo contra nosso povo”, defendem.

Compartilhar nas redes sociais

Deixe uma resposta