Mãe cria empresa de chocolates sem leite após descobrir intolerância a lactose de filhos no RN
Munique com os dois filhos, Pedro e Eduardo. Eles são intolerantes à lactose — Foto: Divulgação

Munique Carlos um dia precisou correr com o seu filho para o hospital num domingo de Páscoa após ele ter consumido leite e ter tido uma reação alérgica forte. Ali, ela teve o primeiro contato com a intolerância de Eduardo, de forma traumática, logo no primeiro ano de sua vida.

Mais de quatro anos depois, ela resolveu empreender no mercado dos chocolates para possibilitar um consumo seguro também para outras pessoas que passam pela mesma situação. O investimento na área foi motivado pela intolerância de Eduardo, hoje com cinco anos, e do filho mais novo, Pedro, que tem um ano e quatro meses e também é alérgico.

Há dois meses, Munique Carlos criou em Natal a empresa Nadica de Leite, que vende chocolates sem leite, sem soja, sem glúten, sem ovo e sem origem animal. Atualmente, a venda é feita apenas pela internet e não há loja física.

Mais do que um investimento financeiro, a criação da empresa tem possibilitado um envolvimento maior das crianças nos grupos sociais. “As nossas festividades são todas inclusivas. E é muito bom ver esse brilho nos olhos deles, de poderem comer sem medo com os amigos. É gratificante. Esse é o único aniversário que eles participam”, explica Munique, que é administradora por formação.

A partir da descoberta da intolerância desde o primeiro filho, a rotina da casa mudou. “Tivemos que nos reinventar e ter opções seguras de alimentação”, lembra. E, para ela, ficou perceptível o quanto há de leite em quase todo tipo de alimento, o que gerou uma preocupação também externa, sobre o que a criança poderia consumir em outros lugares, como na escola por exemplo.

Ela conta que os produtos também têm contribuído com essa autoestima dos filhos e outras famílias que passam por situações de intolerância semelhantes, já que muitas vezes não podem comer o mesmo que a maioria dos que os cercam. “As possibilidades de formatos diferentes dos chocolates aproximam, dão maior acolhimento e sentimento de pertencimento. Uma mãe me agradeceu esses dias porque o sonho da filha dela era comer uma moeda de chocolate”, disse.

A psicóloga cognitiva e comportamental de crianças e adolescentes Amanda Palácio explica que é fundamental na formação da criança fazê-la entender e aceitar a condição diferenciada de forma que se evite um sofrimento.

“Em um primeiro momento, a autoestima pode ser afetada pela ideia de ‘ser diferente’. A criança ou o adolescente se percebem comendo alimentos diferenciados dos outros e principalmente, sem poder comer o que é comum a todos. Portanto, um dos objetivos iniciais da psicoterapia nestes casos é naturalizar o diferente. Após esse primeiro momento é feita a exposição gradual aos rótulos de alimentos não permitidos, para que ela conheça e saiba o que fazer caso seja oferecido algo que ela não possa consumir. Dessa forma, a criança conseguirá dizer ‘Obrigado, mas eu não posso’ com leveza e naturalidade”, explica a psicóloga.

G1

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